Diana Rosa — Food and Work Safety
Cheira bem, está bom para comer? Os mitos sobre validade que podem pôr a tua saúde em risco!

Segurança Alimentar

Cheira bem, está bom para comer? Os mitos sobre validade que podem pôr a tua saúde em risco!

Por Diana Rosa6 min de leitura
Cheira bem, está bom para comer? Os mitos sobre validade que podem pôr a tua saúde em risco!

“Cheira bem, ainda dá para comer.” É provavelmente a frase mais repetida em qualquer cozinha portuguesa e uma das mais perigosas.

O cheiro e o aspeto de um alimento dizem-nos muito pouco sobre se ele é seguro. E esta confusão é responsável por boa parte das intoxicações alimentares que acontecem em casa. Vamos desfazer alguns mitos.

“Se não cheira mal, está bom.”

Vamos desfazer alguns mitos.

  1. 01

    “Se não cheira mal, está bom.”

    Falso, e é o mais perigoso de todos. Muitos dos microrganismos que causam intoxicações graves — como a Salmonella ou a Listeria — não alteram o cheiro, o sabor nem o aspeto do alimento. Podes comer algo com péssimo aspeto sem qualquer problema, e adoecer com algo que parecia perfeito. O nariz deteta decomposição; não deteta contaminação.

  2. 02

    “Prazo de validade e data de durabilidade mínima são a mesma coisa.”

    Também não. Em Portugal, os rótulos distinguem dois conceitos: “consumir até”, que aparece em produtos mais perecíveis (carne, peixe, lacticínios frescos) e é um limite de segurança — depois dessa data, o produto pode representar risco real; e “consumir de preferência antes de”, que indica apenas perda de qualidade — sabor, textura — não necessariamente perigo. Tratar os dois da mesma forma leva a desperdiçar comida perfeitamente segura, ou a arriscar comida que já não é.

  3. 03

    “O frigorífico resolve tudo.”

    O frio abranda o crescimento de bactérias — não o elimina o que já lá está. Um frigorífico mal regulado (acima dos 5ºC) ou demasiado cheio, sem circulação de ar, perde grande parte da sua função protetora.

  4. 04

    “Se congelar, elimina a contaminação.”

    Não, não elimina, apenas adormece por um período. Um alimento contaminado antes de ser congelado continua contaminado depois de descongelado. A congelação é uma ferramenta de conservação, não de descontaminação.

Isto aplica-se tanto a quem cozinha em casa para a família como a quem vende. Se tens um negócio alimentar, estas regras deixam de ser conselhos de bom senso e passam a ser obrigações legais — com prazos de validade calculados com rigor técnico, não por estimativa.
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